
EPIC
Capítulo III
Nascimento
Capítulo III
Nascimento
Quando uma moeda é jogada para o alto, esperamos que ao tocar o solo anuncie um lado vencedor. Em raras ocasiões ela cai de pé. Nestes casos, conforme os costumes antigos, há o chamado impasse.
Voltando ao jardim de Alandra, vivenciamos uma situação parecida. O javali não escapou nem tão pouco foi capturado. Logo, não há vencedores. Mas muito pior que não haver vitoriosos e ter sangue manchando o dia do Banquete de Havein. Este evento é comemorado todo ano após a grande colheita. Apenas uma vez ocorreu um assassinato no Condado durante a festa. O resultado foi a péssima colheita no ano seguinte. Acreditou-se que a "maldição" foi devido ao desrespeito às leis.
Já tinha gente chutando o corpo do animal para longe dos limites a fim de enganar a má sorte quando o capitão Seifer, líder da guarda do rei Adolfos desceu do seu cavalo branco e usando um tom áspero e decidido pronunciou que o javali seria a refeição de seu senhor.
Haviam 15 guardas com ele. Todos vestidos com uma armadura de excelente qualidade e armados com escudos e espadas. Apesar de haver uma grande quantidade de pessoas no jardim, não seriam páreo para a guarda. Seifer já se preparava para pegar a lança e levantar o bicho quando Babi disse num tom ainda mais ríspido que o rei não tinha direito a pegar algo de uma terra que não lhe pertencia. Um silêncio fúnebre invadiu o lugar. Dava até pra ouvir o bater de asas das andorinhas no lago.
O capitão largou a base da lança, retirou a faca que tinha presa ao cinto e apontou em gesto ameaçador para o fazendeiro. Babi nem se mexeu. Continuou a fitar os olhos de Seifer.
Neste instante a carruagem de Sir Domund que além dele, trazia Judith e Alandra chega ao local acompanhada pelos guarda-costas em seus cavalos. Estes últimos, descem dos animais e se colocam em posição defensiva, visando a segurança do veículo. Babi não se importa com a desvantagem e avança para a direção do invasor. Vendo que seu capitão pode correr riscos, os guardas desmontam, mas são logo impedidos de proceguir pelo próprio Seifer advertindo ser um assunto dele e do fazendeiro. A multidão já esta apreensiva e o confronto parece inevitável quando uma adaga soca o chão num ruído abafado, seguida por uma voz jovem avisando que já havia sangue demais num só dia. Todos se entreolham e depois observam Gabriel. Com um sorriso sarcástico, Seifer guarda a faca, retirando-se com seus homens em seguida. Era evidente que aquele gesto foi apenas uma advertência para que os habitantes do Condado ficassem de olhos abertos porque os tempos iriam mudar daqui pra frente e as noites de fartura e alegria estavam com os dias contados.
Babi retira a adaga e devolve ao garoto, elogiando sua coragem. Todos concordam e retoram para a festa. Afinal o dia não havia terminado e ainda tinha muitos eventos obrigatórios para fazer.
Assim que a carruagem começou a subir o pequeno morro de volta ao centro da cidade, deu pra ver através do fio da adaga um par de olhos azuis que se esforçavam para olhar com maior atenção o rosto do pequeno ferreiro. Ao notar que havia sido vista, um sorriso discreto completou a cena. Ela não viu a cor vermelha saliente no rosto do rapaz, mas podia imaginar. O garoto estava feliz de ter renascido. Agora, não mais como um ajudante de ferreiro e sim como um guerreiro. Pelo menos na mente dele.
Enquanto isso, no castelo, Damasur teve uma daquelas visões que somente grandes magos conseguem enxergar. Ele presenciou o nascimento do dragão dentro da esfera. Uma situação inusitada que deveria ser escondida de todos. Até mesmo do rei. Ele deve ter sido libertado devido a energia gasta na Grande Batalha. A esfera tinha que ser lacrada novamente.
Colocar um Dragão para dormir não é uma tarefa fácil. Ainda mais se tradando de um legítimo Língua de Fogo, espécie muito rara mesmo na época em que os dragões eram comuns nas terras do país, antes da Peste Cinza exterminá-los. A esfera deveria ser levada para a Zona Baixa, onde vive Praiamon, o mestre de Damasur. O sacerdote esta envolvido num encantamento muito sério e já aguarda seu pupilo que chegará em dois dias.
(créditos da imagem: Wikipédia)
Voltando ao jardim de Alandra, vivenciamos uma situação parecida. O javali não escapou nem tão pouco foi capturado. Logo, não há vencedores. Mas muito pior que não haver vitoriosos e ter sangue manchando o dia do Banquete de Havein. Este evento é comemorado todo ano após a grande colheita. Apenas uma vez ocorreu um assassinato no Condado durante a festa. O resultado foi a péssima colheita no ano seguinte. Acreditou-se que a "maldição" foi devido ao desrespeito às leis.
Já tinha gente chutando o corpo do animal para longe dos limites a fim de enganar a má sorte quando o capitão Seifer, líder da guarda do rei Adolfos desceu do seu cavalo branco e usando um tom áspero e decidido pronunciou que o javali seria a refeição de seu senhor.
Haviam 15 guardas com ele. Todos vestidos com uma armadura de excelente qualidade e armados com escudos e espadas. Apesar de haver uma grande quantidade de pessoas no jardim, não seriam páreo para a guarda. Seifer já se preparava para pegar a lança e levantar o bicho quando Babi disse num tom ainda mais ríspido que o rei não tinha direito a pegar algo de uma terra que não lhe pertencia. Um silêncio fúnebre invadiu o lugar. Dava até pra ouvir o bater de asas das andorinhas no lago.
O capitão largou a base da lança, retirou a faca que tinha presa ao cinto e apontou em gesto ameaçador para o fazendeiro. Babi nem se mexeu. Continuou a fitar os olhos de Seifer.
Neste instante a carruagem de Sir Domund que além dele, trazia Judith e Alandra chega ao local acompanhada pelos guarda-costas em seus cavalos. Estes últimos, descem dos animais e se colocam em posição defensiva, visando a segurança do veículo. Babi não se importa com a desvantagem e avança para a direção do invasor. Vendo que seu capitão pode correr riscos, os guardas desmontam, mas são logo impedidos de proceguir pelo próprio Seifer advertindo ser um assunto dele e do fazendeiro. A multidão já esta apreensiva e o confronto parece inevitável quando uma adaga soca o chão num ruído abafado, seguida por uma voz jovem avisando que já havia sangue demais num só dia. Todos se entreolham e depois observam Gabriel. Com um sorriso sarcástico, Seifer guarda a faca, retirando-se com seus homens em seguida. Era evidente que aquele gesto foi apenas uma advertência para que os habitantes do Condado ficassem de olhos abertos porque os tempos iriam mudar daqui pra frente e as noites de fartura e alegria estavam com os dias contados.
Babi retira a adaga e devolve ao garoto, elogiando sua coragem. Todos concordam e retoram para a festa. Afinal o dia não havia terminado e ainda tinha muitos eventos obrigatórios para fazer.
Assim que a carruagem começou a subir o pequeno morro de volta ao centro da cidade, deu pra ver através do fio da adaga um par de olhos azuis que se esforçavam para olhar com maior atenção o rosto do pequeno ferreiro. Ao notar que havia sido vista, um sorriso discreto completou a cena. Ela não viu a cor vermelha saliente no rosto do rapaz, mas podia imaginar. O garoto estava feliz de ter renascido. Agora, não mais como um ajudante de ferreiro e sim como um guerreiro. Pelo menos na mente dele.
Enquanto isso, no castelo, Damasur teve uma daquelas visões que somente grandes magos conseguem enxergar. Ele presenciou o nascimento do dragão dentro da esfera. Uma situação inusitada que deveria ser escondida de todos. Até mesmo do rei. Ele deve ter sido libertado devido a energia gasta na Grande Batalha. A esfera tinha que ser lacrada novamente.
Colocar um Dragão para dormir não é uma tarefa fácil. Ainda mais se tradando de um legítimo Língua de Fogo, espécie muito rara mesmo na época em que os dragões eram comuns nas terras do país, antes da Peste Cinza exterminá-los. A esfera deveria ser levada para a Zona Baixa, onde vive Praiamon, o mestre de Damasur. O sacerdote esta envolvido num encantamento muito sério e já aguarda seu pupilo que chegará em dois dias.
(créditos da imagem: Wikipédia)

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