domingo, 11 de abril de 2010

Alcateia

"Sugestão de música para acompanhar a leitura: Linkin Park - From The Inside"





ALCATEIA



CAPÍTULO 1

BEM-VINDO À FAMÍLIA



-Não sinto nada diferente – disse Thomaz para seus amigos.

-É porque não chegou ainda ao seu coração - advertiu um dos amigos.

-É normal não sentir a língua?

-Há, há, há! Já esta começando - risos diversos.

-Não precisa ficar com os olhos fechados.

-Ok! - suspiro – É estranho! Parece que estou meio bêbado.

-É isso aí, cara! Agora, levante devagar.

Thomaz levantou-se do gramado da faculdade. Mas não conseguiu ficar de pé.

Seus amigos ajudaram, animados com o progresso do que estava por vir.



DUAS HORAS ANTES



-Vamos precisar matar a última aula. Está com agente, Thomaz?

-Claro! Vamos nessa.

Um dia comum na faculdade de Sharaville. Thomaz era calouro. Logo, fez amizade com um grupo de pessoas que se autodenominam Alcatéia. O nome não importava. Bom era ser aceito para não servir de cobaia dos veteranos.

-Porque vamos matar aula?

-É segredo – disse Ralf, segurando um cilindro de metal.

-Esta com medo? – provocou Alan.

-Claro que não. Só queria saber do que se trata.

-Tudo ao seu tempo, meu amigo – um sorriso sinistro formou-se no rosto de Ralf.

Conversa interrompida na hora em que o professor de filosofia entrou.

A aula se arrastava e parecia não ter fim. Até que a sirene ecoou.

A próxima aula era de educação física.

-Vamos logo.

Os alunos foram para o vestiário se trocar. O grupo saiu pelos fundos e já estavam quase no muro quando Audrei chegou.

-Saindo antes da festa terminar, Ralf ?

-O que você tem com isso?

-Olhe como fala, moleque. Vejo que “Os Esquisitos” têm um novo membro. Qual a nome da “moça”?

-Apenas ignorem e continuem andando – disse Ralf.

Audrei disse algo que se perdeu no vento e os amigos continuaram a fuga.

-Quem é esse cara? – perguntou Thomaz.

-Um idiota. Depois conto melhor. Ajudem-me a pular o muro que abro o portão do estacionamento.

Ajudado pelos amigos, Ralf salta sem dificuldades. Portão aberto. Eles chegam ao gramado principal que dá acesso à portaria. A idéia não era sair da faculdade e sim ficar no Campo de Leitura. Lugar chamado assim carinhosamente pelas garotas porque liam lá no período em que a biblioteca ficou em obras. Era um lugar amplo com muita paz.

Procuraram por um canto onde não pudessem ser vistos. A pedra dos namorados era perfeita. Poderiam ficar atrás dela.

-Aqui é perfeito.

-Tem certeza que não irão ver?

-Confie em mim. Fizemos o mesmo com você, Alan.

-Fizeram o que? – preocupou-se, Thomaz.

-Relaxe. Apenas beba isso. – retirou o cilindro do bolso e entregou a Thomaz.

-O que é isso?

-Precisamos ter confiança uns nos outros. Certo?- todos concordaram num gesto de cabeça, exceto Thomaz.

-Sim. Mas não gosto de beber algo que não conheço.

-Eu disse que ele não servia. - disse Heitor.

-Calma pessoal. Thomaz. Achei que queria ser um de nós?

-Quero. Mas...

-Então, prove.

Ainda relutante, pegou o cilindro e olhou fixamente por uns segundos.

-Vai, vai, vai... – o grupo incentivava.

Num gole só tomou tudo. Os amigos comemoraram aos berros.

Thomaz sentiu vontade de vomitar. Mas não o fez. Apenas deitou na grama de costas para o solo. Apagou por uma hora.

Acordou...

-Esta sentindo? – perguntou Alan.



AGORA



-Nossa. Obrigado. Não vejo bem. Tudo esta “rodando” ainda.

-Não se preocupe. – Ralf pediu aos outros que o segurassem firme.

-Caras, eu não estou sentindo minhas pernas.

-Acalme-se. Depois da primeira mordida, será bem-vindo à família.

-O que disse?

A pergunta foi ignorada. O que os olhos de Thomaz viram a seguir foi inenarrável.

A princípio, achou que era efeito do que tinha tomado. Mas procurou olhar melhor mesmo com todo o “tornado” em sua cabeça.

Abriu e fechou seus olhos muitas vezes. Numa destas só pôde ver a boca aberta semelhante à de um cachorro raivoso mordendo seu braço. Queria gritar, mas não tinha forças. Não sentia dor. Seu corpo começou a queimar de dentro para fora e desmaiou.

-E agora? – Heitor perguntou

-É só esperar. – disse Ralf com aquele sorriso sinistro de costume...



EPIC



EPIC

Capítulo VII

Fúria


Uma semana após a morte de Brandi, encontramos Gabriel descansando ao pé de um carvalho. A cabeça pousada sobre o colchão dobrado quatro vezes, conforme sua mãe fazia.

Agora, o jovem ferreiro havia conseguido lar e trabalho próximo a casa de Alandra.

Fazer armas brancas era comum para ele. A fama do corte afiado das lâminas logo se alastrou. Além disso, muita gente sabia quem ele era e filho de quem.

Mas o que o jovem mais apreciava era estar perto de Judith. O sentimento era forte entre o casal. Já se falava até em casamento.

Deixemos este lugar tranqüilo para visitar o rei Adolfos.

Helvit era o alvo da vez. Uma batalha estava sendo anunciada. Toda vez que se faz uma manobra destas, novos soldados devem ser recrutados. Eles serão a infantaria. Leia-se: aqueles que morrem primeiro. Um pequeno grupo de cavaleiros é formado para visitar cada condado e recolher os adolescentes. A lista não era tão grande desta vez. O fato de ter desrespeitado o banquete, deixou Subwood um tanto isolado da região.

Menfrai era um condado novo. Havia muitos jovens ali. Para a maioria, estar na guarda do rei era um sonho. Para as mães, um pesadelo. Pois, nunca mais seriam vistos.

O processo era simples: todas as famílias se reuniriam na praça e os filhos ficariam de pé para avaliação do soldado de maior patente. Normalmente, a seleção era rigorosa. Mas como estão precisando de pessoal, as exigências diminuíram.

Sweney era um rapaz diferente. Não possuía pêlo no corpo e sua pele apresentava um pigmento branco desbotado. Ele queria ir. Os soldados relutaram.

Então, sua irmã, Zigfrid se apresentou, dizendo que iria com ele.

Uma situação interessante, pois não era permitido mulheres na infantaria.

O chefe dos soldados propôs um desafio: ambos seriam postos à prova numa luta. Quem ganhasse estaria dentro.

Sweney era alto, magro, rosto quadrado com aquela expressão “não se metam comigo”. Usava luvas rasgadas com uma espécie de soco inglês encorpado ao punho. Zigfrid possuía uma máscara labial. Os longos cabelos negros presos num rabo-de-cavalo. Era magra e baixa. Vestia um cinto onde era possível ver uma pequena foice com cabo de osso entre outros objetos pequenos com aparência agressiva. Em posição de combate, ambos se miravam pelos olhos castanhos num estudo detalhado com a pergunta voando no ar: que golpe encaixar primeiro?

De súbito, numa velocidade incrível, os irmãos investiram contra os soldados, derrubando-os com grande facilidade. O chefe ainda esboçou uma reação, mas era inútil. Então, se conteve.

Zigfrid avisou que era para ele retornar e passar adiante que Menfrai não esta desamparado.

Aos poucos, os guardas foram se recuperando e abandonando o local.

O velho Hans, pai do casal, sabia que esta afronta teria resposta. Pediu que fossem embora para outro condado.

Mesmo rebeldes, sempre ouviam com atenção os conselhos do pai. Horas depois, estavam de partida para Zona Baixa.

Por falar nela, Jade havia sido punida por ter entrado no museu. Praiamon decidiu colocar um mecanismo chamado Inibidor, que anula a mágica de quem usa. Trata-se de um colar sem tranca. Ele simplesmente é fixado ao pescoço por magia. Somente magos altamente qualificados podem retirá-lo. Para a jovem prodígio, resta apenas aguardar o término de seu castigo.

O mestre sabia da chegada dos irmãos à região. Já os observava há tempos. Os atos que praticavam não eram ilícitos, só violentos. Porém, justos.

Sua preocupação estava no que a união deles causaria à escola. Poderia não deixá-los entrar. Mas iria contra as regras locais onde todos são bem-vindos até que provem contrário.

No castelo, a chegada do chefe do grupo de soldados é recebida com surpresa pelos vigias. Não demora, e a notícia chega aos ouvidos de Seifer. Damasur o previne a resolver a questão sem que o rei tome conhecimento.

Conselho aceito. O líder da guarda parte em busca dos agressores.

Os irmãos cruzam o vale que dá acesso à Zona Baixa. O sol começa a deitar-se quando alcançam a margem do lago. Um bom local para acampar. É o que planejam.

Neste lugar, há uma quantidade de furtos acima da média.

Antes mesmo de começar a preparar as acomodações, os galhos das árvores começam a balançar com estalos fortes.

Os ladrões não sabem que ali não se encontram viajantes em férias e sim a fúria em dose dupla...



(crédito da imagem: http://hdlotado.webnode.com/)