terça-feira, 29 de dezembro de 2009


EPIC

Capítulo V
Heróis Também Choram - Parte I

A noite cai, como de costume, muito rápido em Zona Baixa. Não há aulas à noite. Fora proibido devido ao nevoeiro muito denso que torna o acesso muito perigoso. Muitos jovens dormem na própria escola. É o caso de Jade.
No silêncio do museu, a pouca luz esta sempre acompanhada por objetos, animais e manuscritos muitos raros. Entre estes podemos destacar a primeira carta do rei Nanci, fundador da cidade. A ossada inteira de um Browmute, criatura bastante rara que podia causar pequenos tremores de terra com suas caminhadas e chegavam à altura de dez metros. Por serem dóceis, eram presas fáceis de comerciantes. É claro que existem aquelas peças que são classificadas como raríssimas. Estas ficam nos cofres.

Por falar neles, um som de trancas sendo forçadas quebra a paz do lugar. Não é nada fácil arrombar um cofre lacrado por magia. O encantamento consiste em sete selos que estão unidos numa formação bastante complicada. As tentativas erradas resultam numa nova formação por parte dos selos que aumentam a dificuldade. Dedos astutos dançam no ar e palavras a muito esquecidas brotam dos lábios da jovem feiticeira. Sem sucesso, elas se perdem no ar, seguidas de um suspiro. A noite vai ser longa, mas a jovem esta disposta a seguir em frente.

Em Subwood, O feiticeiro já se encontra na presença de Adolfos ao lado do chefe da guarda e seus comandados. O sol começa iluminar as armaduras quando artesões abrem o piso do grande salão do castelo, revelando o enorme mapa do país. Detalhes impressionantes de cada região podem ser vistos. Com grande facilidade e a experiência de um homem que já conquistou dezenas de terras, o rei vai falando a estratégia do ataque que derrubará as defesas de Hevit.
Neste momento, Helema, a rainha, invade o recinto, surpreendendo a todos. Adolfos não gosta de ser interrompido e projeta um olhar misturando desaprovação e raiva. Sem se abater, a esposa do monarca coloca uma carta de tarô sobre a mesa. Na época em que era camponesa, fazia adivinhações com as cartas. Acertava muitas vezes e intrigava o mago do reino. Foi assim que foi indicada a vaga do trono. Pois Damasur acreditava que ela teria uma importância muito grande na sobrevivência do seu senhor, futuramente.

A carta tinha a imagem de uma torre ruindo. Ela explica que algo estaria vindo para ameaçar o reino e que não era hora de pensar em expandir territórios.
Sua atitude foi vista com enorme repudio pelo rei que ordenou sua retirada imediata num tom áspero. Ele estava realmente zangado. Sua esposa obedeceu, mas deixou a carta. O rei voltou a discernir sobre seu plano enquanto o mago pegou o tarô e coçou a barba, num tom de preocupação.
Longe dali, o feito de Gabriel criou frutos e logo o ajudante de ferreiro ficou conhecido em outros lugarejos. Com o fim do Banquete de Havein, todos voltaram as suas vidas normais. Judith não esquecera do herói. Muito menos ele.
Sabendo que neste momento encontraria nosso "guerreiro" executando sua profissão, a bela jovem decidiu fazer um passeio pelas redondezas. Ordenou que a carruagem estacionasse em frente à loja. Não esperou ser anunciada e foi tocando a campainha sobre a mesa. O Sr. Brandi atendeu e ficou surpreso ao ver uma mulher, já que apenas homens negociavam com ele.
Com uma simpatia que era indescritivel e um sorriso daqueles que impossibilitam dizer algo negativo, encomendou um anel. Deixou uma ametista com o ferreiro e o desenho que fora feito por ela mesma.

Claro que a chegada da moça foi um acontecimento e todos vieram olhar, dispertando a curiosidade de Gabriel que arregalando os olhos, mal podia imaginar o que via. Tentou descer a escada com cuidado para não produzir barulho, mas tocou numa panela que despencou levando outras tantas consigo, provocando uma orquestra desafinada na loja.
Rapidamente, todos se recuperaram do susto. Judith deu um leve sorriso que ao mesmo tempo achava a situação engraçada e estava feliz de ter encontrado o real objetivo da visita. Subitamente perguntou se o jovem já havia andado de carruagem. Não esperou a resposta e convidou-o, pedindo autorização ao seu pai. Mesmo com o consentimento, relutou um pouco para ir. Mas olhou para aquele lindo rosto que desenhou um novo sorriso. Aí, não havia como lutar. Passearam durante um tempo e conversaram sobre as diferenças de suas personalidades. Depois vieram as coincidências. Resumindo, um dia perfeito para Gabriel.
Muito contente, exalava sua felicidade, notada por todos.
Foi então que ao entrar na loja que era uma extensão de sua casa deparou-se com seu pai agonizando no chão. Havia sangue espalhado pelo tapete e sobre alguns móveis e ferramentas. Aos gritos, correu para ajuda-lo e pedir ajuda aos vizinhos que prontamente atenderam. Brandi havia sido esfaqueado e a ametista foi furtada. Enquanto levavam o ferreiro para o médico local, as lágrimas não paravam de cair e o jovem virou uma criança, impotente diante da situação. Restavá-lhe apenas aguardar o desfecho e rezar para a recuperação imediata.
Muitos heróis são feitos de carne e osso.
Há um coração dentro daquela couraça.

Existem fatos que causam cicatrizes mais profundas que espadas afiadas.

Gabriel vai ganhar uma da qual jamais esquecerá...


(créditos da imagem: labirintosdaalma.blogspot.com)

domingo, 27 de dezembro de 2009


EPIC

Capítulo IV

Sábios Conselhos

Para falar da Zona Baixa, temos que viajar para um período onde os dragões ainda eram comuns. Eles serviam para as mais variadas tarefas. Era lei que jamais entrariam em combate, salvo se todo o país estivesse em guerra. A convivência pacífica entre as raças gerava uma harmonia perfeita. Foi então que junto com uma estranha tempestade, apareceu a Peste Cinza. Uma doença que afetava apenas os dragões de forma a apagar sua chama interna, endurecendo assim as glândulas incendiárias. Contagiosa e violenta, se alastrou rapidamentes e culminou na extinção destes belos animais.
Uma grande área foi escolhida como cemitério de dragões. O peso enorme dos milhares de ossos provocou o afundamento do solo, resultando no que conhecemos como Zona Baixa.
Existem escolas de magia em todos os paises. Este Condado foi o último a receber tal construção. Em homenagem as criaturas, a escola foi construída sobre o cemitério. Muitos ainda zombam desta escolha e classificam os estudantes com diversos apelidos relacionados a morte. O fato é que este solo ficou muito rico tanto em materiais naturais como em mágicos.
É lá que encontramos Jade, filha de Damasur e pupila de Praiamon. A adolescente é um fenômeno, apesar de um tanto rebelde. Suas travessuras já lhe custaram algumas dezenas de advertências e suspensões. Num destes delitos, misturou componentes desconhecidos que explodiram em seu rosto, mudando a cor de seus olhos para um verde esmeralda brilhante. Nem mesmo seu mestre foi capaz de reverter a confusão. É uma moça muito bonita e culta e sempre arruma um jeito de ser perdoada.
Para sair do castelo sem que o rei negasse, Damasur usou o artifício da visita a sua filha. A cada mês ele podia visitá-la sem pedir autorização. O rei havia concedito este prêmio pelo fato do mago tê-lo ajudado a conquistar sua atual esposa.
Deixando seu pupilo mais experiente no controle, ele viajou até a escola levando a esfera. Cuidadoso, não deixou que desconfiassem do objeto. Assim que encontrou com seu mestre, falou sobre o ocorrido. Praiamon era um sacerdote nivel três. A classe mais alta que se podia alcançar.
Um homem bastante sábio. Sua idade avançada, garantia que seus conselhos eram extremamente úteis. Não havia como regenerar a esfera. Pois a magia para este ato era proveniente de um material que não existe mais. O aprendiz foi alertado que deveria aguardar o despertar do filhote e escolher um corpo humano para aprisioná-lo. Única forma de fazer o animal voltar a hibernar. Os senhores estavam tão concentrados na tarefa que nem notaram a presença da jovem prodígio escondida sob a mesa.
Em Subwood, Adolfos convoca Seifer para uma reunião e decide tomar o Condado de Hevit. Dizia aguardar apenas o retorno de seu feiticeiro para começar os preparativos.
Na escola, foi decidido que a esfera ficaria no museu dentro do cofre principal até que o filhote despertasse. Para Jade, a noite já tinha um motivo de diversão.

(créditos das imagens: Forum do Baboo - www.babooforum.com.br)

sábado, 26 de dezembro de 2009


EPIC

Capítulo III
Nascimento


Quando uma moeda é jogada para o alto, esperamos que ao tocar o solo anuncie um lado vencedor. Em raras ocasiões ela cai de pé. Nestes casos, conforme os costumes antigos, há o chamado impasse.
Voltando ao jardim de Alandra, vivenciamos uma situação parecida. O javali não escapou nem tão pouco foi capturado. Logo, não há vencedores. Mas muito pior que não haver vitoriosos e ter sangue manchando o dia do Banquete de Havein. Este evento é comemorado todo ano após a grande colheita. Apenas uma vez ocorreu um assassinato no Condado durante a festa. O resultado foi a péssima colheita no ano seguinte. Acreditou-se que a "maldição" foi devido ao desrespeito às leis.
Já tinha gente chutando o corpo do animal para longe dos limites a fim de enganar a má sorte quando o capitão Seifer, líder da guarda do rei Adolfos desceu do seu cavalo branco e usando um tom áspero e decidido pronunciou que o javali seria a refeição de seu senhor.
Haviam 15 guardas com ele. Todos vestidos com uma armadura de excelente qualidade e armados com escudos e espadas. Apesar de haver uma grande quantidade de pessoas no jardim, não seriam páreo para a guarda. Seifer já se preparava para pegar a lança e levantar o bicho quando Babi disse num tom ainda mais ríspido que o rei não tinha direito a pegar algo de uma terra que não lhe pertencia. Um silêncio fúnebre invadiu o lugar. Dava até pra ouvir o bater de asas das andorinhas no lago.
O capitão largou a base da lança, retirou a faca que tinha presa ao cinto e apontou em gesto ameaçador para o fazendeiro. Babi nem se mexeu. Continuou a fitar os olhos de Seifer.
Neste instante a carruagem de Sir Domund que além dele, trazia Judith e Alandra chega ao local acompanhada pelos guarda-costas em seus cavalos. Estes últimos, descem dos animais e se colocam em posição defensiva, visando a segurança do veículo. Babi não se importa com a desvantagem e avança para a direção do invasor. Vendo que seu capitão pode correr riscos, os guardas desmontam, mas são logo impedidos de proceguir pelo próprio Seifer advertindo ser um assunto dele e do fazendeiro. A multidão já esta apreensiva e o confronto parece inevitável quando uma adaga soca o chão num ruído abafado, seguida por uma voz jovem avisando que já havia sangue demais num só dia. Todos se entreolham e depois observam Gabriel. Com um sorriso sarcástico, Seifer guarda a faca, retirando-se com seus homens em seguida. Era evidente que aquele gesto foi apenas uma advertência para que os habitantes do Condado ficassem de olhos abertos porque os tempos iriam mudar daqui pra frente e as noites de fartura e alegria estavam com os dias contados.
Babi retira a adaga e devolve ao garoto, elogiando sua coragem. Todos concordam e retoram para a festa. Afinal o dia não havia terminado e ainda tinha muitos eventos obrigatórios para fazer.
Assim que a carruagem começou a subir o pequeno morro de volta ao centro da cidade, deu pra ver através do fio da adaga um par de olhos azuis que se esforçavam para olhar com maior atenção o rosto do pequeno ferreiro. Ao notar que havia sido vista, um sorriso discreto completou a cena. Ela não viu a cor vermelha saliente no rosto do rapaz, mas podia imaginar. O garoto estava feliz de ter renascido. Agora, não mais como um ajudante de ferreiro e sim como um guerreiro. Pelo menos na mente dele.
Enquanto isso, no castelo, Damasur teve uma daquelas visões que somente grandes magos conseguem enxergar. Ele presenciou o nascimento do dragão dentro da esfera. Uma situação inusitada que deveria ser escondida de todos. Até mesmo do rei. Ele deve ter sido libertado devido a energia gasta na Grande Batalha. A esfera tinha que ser lacrada novamente.
Colocar um Dragão para dormir não é uma tarefa fácil. Ainda mais se tradando de um legítimo Língua de Fogo, espécie muito rara mesmo na época em que os dragões eram comuns nas terras do país, antes da Peste Cinza exterminá-los. A esfera deveria ser levada para a Zona Baixa, onde vive Praiamon, o mestre de Damasur. O sacerdote esta envolvido num encantamento muito sério e já aguarda seu pupilo que chegará em dois dias.

(créditos da imagem: Wikipédia)


EPIC

Capítulo II
Sonhos De Um Herói


Nem sempre uma lenda é cem por cento verdade. Logo, descobre-se que um "aumento" pode ser facilmente ocultado. Por exemplo, cem mil camponeses e setecentos mil soldados são números bastante expressivos para a época. Exageros à parte, o resto da história foi real.
Gabriel não se importava com a veracidade dos fatos. Para ele o que contava era a forma como narravam. Uns bem mais empolgados que os outros. Alguns faziam até performances dignas de espetáculo.
À noite, com a cabeça postada sobre um lençol dobrado quatro vezes por sua mãe para amortecer ao máximo as dores da cama de pedra, o jovem ferreiro olhava pela fresta do telhado o brilho da lua e o sono tardava a chegar. Somente depois que os valentes guerreiros terminassem de salvar as donzelas em perigo na mente criativa do rapaz.
Como de costume, mal o dia dispertava Gabriel já estava de pé. Era preciso. Agora , ele deveria ajudar aqueles que ainda precisavam de apoio.
O trabalho de seu pai havia terminado duas semanas atrás. Logo, não precisaria de seus serviços nos próximos dias. Quando as obrigações terminavam, o jovem aproveitava para participar do Banquete de Havein, uma festa popular na cidade vizinha, de nome Isth. Havia outro motivo requisitando sua presença. Era lá que morava Judith, filha da Senhora Alandra, a florista. Um cargo de muito prestigio. Pois ela ditava a moda das princesas de praticamente todos os Condados.
Judith era uma jóia rara. Além de bonita, simpática e esperta tinha acesso as últimas novidades em romances publicados fora do País. Não é de se admirar que o pequeno herói tenha começado a se interessar pela moça. O problema é que ele não era o único. Claro que haviam muitos pretendentes. A maioria com uma cultura muito elevada e outros com dotes atléticos e esportivos, além de cargos importntes.
Havia um em especial que devia ser observado. O Sir Domund, conselheiro do Rei Padis, monarca e anfitrião do Banquete. Ele era bastante inteligente, muito brincalhão. Para muitos, até em demasia. O que lhe dava um apelido pouco convencional para a época: flamingo. Evidente que nenhuma alma que tivesse amor pelo corpo falaria este nome em voz alta.
O conselheiro visitava bastante a casa da senhora Alandra. Não se sabia ao certo o motivo. Mas para Gabriel era óbvio.
Hoje, é a tarde de caça. Uma atividade muito famosa no Banquete que sempre revela grandes nomes. Para nosso jovem ferreiro uma oportunidade de mostrar suas habilidades. Embora não tivesse uma musculatura invejável, ele era muito bom em lançar facas.
Sua primeira tentiva de inscrição foi motivo de piada para os outros concorrentes. Para sua surpresa, Sir Domund interveio ao seu favor dizendo que em dia de Banquete todos são iguais.
De fato assim era.
O objetivo da primeira caça era trazer um javali vivo ao centro da arena montada. O animal não devia ser machucado. Era ordem em todo o lugar que nenhum sangue deveria ser derramado durante o dia. Motivo pelo qual Subwood não participou este ano. Apesar de amigos, os condados estavam em atrito devido a ajuda fornecida aos agressores camponeses.
Pois bem, voltando a caça, o javali era solto e deveria correr até o bosque de Alandra. Se o fizesse sem ser alcançado, ganharia liberdade. Caso contrário, serveria de refeição para o dia seguinte.
Babi, o dono do curral, segurava o bicho com muita força. Apesar do nome, estamos falando de um senhor de mais de dois metros de altura com músculos saltando pelo macacão surrado pela terra do local onde trabalha. Não soltaria o animal até que a corneta fosse ouvida.
Tão logo, o sinal estivesse ecoando, todos os caçadores deveriam correr para impedir a fuga.
Assim foi feito. O javali disparou em direção ao bosque. Dezenas de homens sairam em sua busca.
Do alto da colina, os juízes observavam a fim de inibir qualquer tipo de desonestidade. Quando o animal estava a poucos metros do jardim que separava o limite do bosque, uma lança acertou-o, atravessando de um lado a outro do corpo que tombou instantaneamente, já sem vida.
Um tumulto começou e a fúria tomou lugar à diversão. Foi então que um grito cortou o ar tão forte quanto a lança: "Subwood esta aqui"

(créditos da imagem: www.bicodocorvo.com.br)



EPIC

Capítulo I
A Grande Batalha




O Condado de Subwood era dividido por uma longa ponte construída com grandes pedras que sustentavam quaisquer tipos de peso. Hoje, ela seria colocada à prova no que segundo as lendas foi chamada de A Grande Batalha.
O rei Adolfos havia se apropriado indevidamente do território sul do Condado. Este ato, ocasionou uma rebelião por parte dos camponeses. Como o exército do rei era grandiosos, nenhum Condado vizinho se atrevia a desafiá-lo. O erro fatal do rei foi a oportunidade que outros visionários tinham de recuperar não somente suas terras como dar-lhe uma vingança na moeda certa.
Dezenas de pactos foram criados com os camponeses que evidentemente estariam à frente do combate.
Ao entardecer, cem mil homens estavam enfileirados diante da ponte imponente que dava acesso a cidade de Bellain, onde fora contruído o imenso castelo. Setecentos mil soldados foram selecionados para o combate. O rei era sábio e ainda contava com Damasur, o vidente que escolherá a quantidade correta para a vitória. O massacre estava anunciado.
De acordo com leis éticas da época, não era permitido um ataque deste tipo a menos que aqueles em menor número dessem o primeiro "tiro". Caso não o fizessem, esperávasse até que eles fossem embora.
Contrariando todas as previsões, um camponês atirou uma foice que atingiu o pescoço de um capitão. Furiosos, os seguidores do rei tomaram a iniciativa. Nenhum camponês avançou. Esperaram até que metade dos homens do rei estivessem próximos e correram para a mata. Num instante, milheares de guerreiros de diversos Condados entraram em cena. O massacre havia virado de lado. A luta foi violenta como só se podia ver nesta época.
Surpreso, o rei revindicou providências a Damasur. O feiticeiro pediu permissão para sair à janela. Concedida com um aceno de cabeça. Foi até seu dormitório e recolheu um objeto brilhante em forma de esfera. Com palavras compreensiveis apenas para aqueles que estudaram os mais variados idiomas perdidos, a esfera lançou um forte vórtice que foi dilacerando um a um dos inimigos sem afetar seus protegidos.
Em poucos minutos, a batalha estava acabada. Os sobreviventes correram para longe e amaldiçoaram a região.
Vitoriosos, os protetores do rei apontaram suas armas para o alto e gritaram o nome de seu senhor, seguido pelo do feiticeiro.

Já dentro da sala do trono, o rei questionou seu empregado sobre o objeto secreto. Sem sorte, foi-lhe apenas dito que até mesmo os sacerdotes possuem medo de segurar tal reliquia.
O rei não se importou com a observação e deu atenção apenas aos atos comemorativos, regados a muita bebida e mulheres.
Do lado derrotado, havia fome e sofrimento pelas perdas da noite.
Os refugiados foram abrigados no Condado de Hevit, numa pequena cidade chamada Boo. Todos sabiam que esta derrota tinha uma extensão bem maior. Logo, seriam caçados pelos pecados contra o rei.
Em Boo, havia um ferreiro de nome Brandi. Seu filho, Gabriel era amante dos grandes combates mas jamais havia brigado com alguém. Ele apenas sonhava com as aventuras contadas pelos filosofos ou livros da biblioteca antiga.
Mal sabia o garoto que sua sorte iria mudar...



(créditos da imagem: Blizzard)