sábado, 26 de dezembro de 2009


EPIC

Capítulo II
Sonhos De Um Herói


Nem sempre uma lenda é cem por cento verdade. Logo, descobre-se que um "aumento" pode ser facilmente ocultado. Por exemplo, cem mil camponeses e setecentos mil soldados são números bastante expressivos para a época. Exageros à parte, o resto da história foi real.
Gabriel não se importava com a veracidade dos fatos. Para ele o que contava era a forma como narravam. Uns bem mais empolgados que os outros. Alguns faziam até performances dignas de espetáculo.
À noite, com a cabeça postada sobre um lençol dobrado quatro vezes por sua mãe para amortecer ao máximo as dores da cama de pedra, o jovem ferreiro olhava pela fresta do telhado o brilho da lua e o sono tardava a chegar. Somente depois que os valentes guerreiros terminassem de salvar as donzelas em perigo na mente criativa do rapaz.
Como de costume, mal o dia dispertava Gabriel já estava de pé. Era preciso. Agora , ele deveria ajudar aqueles que ainda precisavam de apoio.
O trabalho de seu pai havia terminado duas semanas atrás. Logo, não precisaria de seus serviços nos próximos dias. Quando as obrigações terminavam, o jovem aproveitava para participar do Banquete de Havein, uma festa popular na cidade vizinha, de nome Isth. Havia outro motivo requisitando sua presença. Era lá que morava Judith, filha da Senhora Alandra, a florista. Um cargo de muito prestigio. Pois ela ditava a moda das princesas de praticamente todos os Condados.
Judith era uma jóia rara. Além de bonita, simpática e esperta tinha acesso as últimas novidades em romances publicados fora do País. Não é de se admirar que o pequeno herói tenha começado a se interessar pela moça. O problema é que ele não era o único. Claro que haviam muitos pretendentes. A maioria com uma cultura muito elevada e outros com dotes atléticos e esportivos, além de cargos importntes.
Havia um em especial que devia ser observado. O Sir Domund, conselheiro do Rei Padis, monarca e anfitrião do Banquete. Ele era bastante inteligente, muito brincalhão. Para muitos, até em demasia. O que lhe dava um apelido pouco convencional para a época: flamingo. Evidente que nenhuma alma que tivesse amor pelo corpo falaria este nome em voz alta.
O conselheiro visitava bastante a casa da senhora Alandra. Não se sabia ao certo o motivo. Mas para Gabriel era óbvio.
Hoje, é a tarde de caça. Uma atividade muito famosa no Banquete que sempre revela grandes nomes. Para nosso jovem ferreiro uma oportunidade de mostrar suas habilidades. Embora não tivesse uma musculatura invejável, ele era muito bom em lançar facas.
Sua primeira tentiva de inscrição foi motivo de piada para os outros concorrentes. Para sua surpresa, Sir Domund interveio ao seu favor dizendo que em dia de Banquete todos são iguais.
De fato assim era.
O objetivo da primeira caça era trazer um javali vivo ao centro da arena montada. O animal não devia ser machucado. Era ordem em todo o lugar que nenhum sangue deveria ser derramado durante o dia. Motivo pelo qual Subwood não participou este ano. Apesar de amigos, os condados estavam em atrito devido a ajuda fornecida aos agressores camponeses.
Pois bem, voltando a caça, o javali era solto e deveria correr até o bosque de Alandra. Se o fizesse sem ser alcançado, ganharia liberdade. Caso contrário, serveria de refeição para o dia seguinte.
Babi, o dono do curral, segurava o bicho com muita força. Apesar do nome, estamos falando de um senhor de mais de dois metros de altura com músculos saltando pelo macacão surrado pela terra do local onde trabalha. Não soltaria o animal até que a corneta fosse ouvida.
Tão logo, o sinal estivesse ecoando, todos os caçadores deveriam correr para impedir a fuga.
Assim foi feito. O javali disparou em direção ao bosque. Dezenas de homens sairam em sua busca.
Do alto da colina, os juízes observavam a fim de inibir qualquer tipo de desonestidade. Quando o animal estava a poucos metros do jardim que separava o limite do bosque, uma lança acertou-o, atravessando de um lado a outro do corpo que tombou instantaneamente, já sem vida.
Um tumulto começou e a fúria tomou lugar à diversão. Foi então que um grito cortou o ar tão forte quanto a lança: "Subwood esta aqui"

(créditos da imagem: www.bicodocorvo.com.br)


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